quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Portugal e o Mundial 2010

Portugal encontra-se neste momento em 3º lugar, sendo matematicamente possível acabar em 1º, 2º, 3º ou até 4º. Faltam apenas duas jornadas e a conjuntura não é propriamente a melhor. É verdade que já estivemos pior e que aquela situação da Dinamarca poder facilitar frente aos Suecos é menos provável de acontecer, mas as hipóteses ainda são poucas, pois temos que esperar que a Suécia não vença os "vinkings". E, claro, temos que obrigatoriamente vencer os dois últimos jogos. Ainda é possível e, por isso, só temos é que apoiar a equipa. Acho lamentável que alguns queiram que nós percamos apenas porque não temos 100% jogadores nascidos em Portugal. Não vejo porque não aceitam Pepe e Liedson e depois aceitam Nani, Nelson, Rolando e Bosingwa. Afinal, estes três não nasceram em solo lusitano. Eu pessoalmente gostava que fossem todos nascidos em Portugal, mas isso não me impede de apoiar homens que têm o desejo de jogar pela selecção de um país que os acolheu. Além disso, Brasil e cabo Verde (como Angola, Moçambique e outros) já foram colónias portuguesas.

É claro que estas chamadas de naturalizados não fazem parte da organização que o futebol português precisa urgentemente a começar pelas camadas jovens que estão numa desgraça completa devido a Scolari. Um senhor que foi elogiado da cabeça aos pés pelos maiores jogadores do mundo devido ao seu brilhante trabalho ao serviço do Chelsea, onde mostrou ser uma pessoa que percebe muito de futebol.


Esta é a verdade: Scolari é o treinador com maior sucesso ao serviço da selecção de Portugal. Isso é indesmentível. Mas não esqueçamos as coisas, meus amigos. Quando o "sargentão" esteve lá nós tínhamos os ícones da geração de euro (criada por Queiroz) como Figo e Rui Costa e verdadeiros líderes de balneário como Fernando Couto e Costinha. E não esquecer que a nível técnico-táctico Scolari nada acrescentou à equipa. Toda a qualidade na dinâmica de jogo que a selecção apresentava devia-se a uma pessoa: José Mourinho. Podem não se lembrar, mas a equipa que esteve na Luz na final do Euro 2004 era constituída por 6 jogadores do Porto que foi "apenas" vencedor da Champions League desse mesmo ano. Ainda por cima, o meio-campo era todo portista (Costinha-Maniche-Deco).

Parece que agora muitos passaram a ser resultadistas afirmando que há uns anos atrás tínhamos grandes resultados e agora podemos nem nos qualificar para o Mundial de 2010. Pois bem, durante os 5 anos em que as mentes dessas pessoas estavam ocupadas com o sucesso lusitano (com certeza eram todos nascidos em Portugal, incluindo o treinador., nem tínhamos Deco na equipa...), todos se esqueciam do que estava a acontecer por trás dos holofotes das vitórias portuguesas. Todas as camadas jovens da selecção portuguesa estavam deixadas ao abandono. Scolari marimbou-se completamente para o futuro do futebol português. E agora temos um futuro negro pela frente. É por isso que, desde que Scolari chegou a Portugal, Portugal não ganha nenhum título ao nível das camadas, algo que não acontecia anteriormente.

E também é bom não esquecer que foi Queiroz que organizou toda a estrutura do futebol Português. Remodelou toda a federação com a sua metodologia e organização. Foi alguém que revolucionou a mentalidade do jogador português. E foi precisamente para isso que Queiroz chegou à Selecção Nacional (ou pelo menos é lógico pensar que assim seja). É urgente reestruturar todo o futebol português, desde as bases.


Claro que Queiroz não é o treinador perfeito. Aliás, não sou grande admirador seu nem estou aqui a defendê-lo. Assim como não quero atacar Scolari. Apenas gostava de esclarecer umas coisas e clarificar as ideias a algumas pessoas que precisão de ter mais bom senso nas suas análises.

Scolari tem o mérito de ser um grande motivador de homens, um bom líder de grupo e alguém que soube unir um país inteiro à volta da equipa (embora não devesse ser preciso cativar os portugueses para apoiarem a sua selecção).

Queiroz chegou num momento em que a situação era totalmente diferente. Scolari quando chegou não teve uma qualificação para fazer, tendo muito tempo para conhecer a equipa, e não teve que a organizar, uma vez que o núcleo duro eram os jogadores do Porto de Mourinho. Mesmo assim, a equipa fez bons jogos nesta fase de qualificação, pecando apenas no capítulo da finalização. Uma coisa que Queiroz trouxe foi a capacidade de mudar de sistema táctico. Não me lembro de ver Portugal com esta capacidade de mudar de sistema de jogo como fez nestes dois últimos jogos. Ainda há o factor sorte, que definitivamente não abunda por cá. Dizem que Queiroz atrai o azar. Bem, isso parece-me um exagero, mas verdade seja dita: nós, mesmo com as inúmeras oportunidades de golo desperdiçadas, tivemos um azar enorme em relação aos últimos jogos da Suécia. É que os nórdicos venceram a Húngria no último minuto com as costas de Ibrahimovic, num golo de uma sorte inacreditável. E, como se não bastasse, ainda tiverem a "lata" de vencer Malta com um auto-golo nos últimos minutos. Isto parece bruxedo.


Mas enfim, com bruxedos ou não, Portugal podia e devia estar já qualificado para o Mundial. É incrível a forma como se perde o jogo em casa com a Dinamarca, se empata em casa com a Albânia e fora com os dinamarqueses. Eram jogos em que merecíamos claramente ganhar, mas que a nossa tremenda capacidade de desperdiçar golos nos fez descer na classificação.

A meu ver, seria um erro desfazer o projecto de reestruturação do futebol português. Mesmo se não nos qualificarmos para o Mundial. Mas isso não invalida que lhe aponte erros durante esta campanha. Nesse sentido, penso que as inúmeras convocatórias que ele fez foi uma boa estratégia sendo que foi um erro não ter criado um "núcleo duro" como existia na era de Scolari. Além disso, e apesar de não ser contra a chamada de jogadores não nascidos em Portugal, é de um contra-senso enorme Queiroz chamar luso-brasileiros quando ele foi o cérebro da geração de ouro. Uma geração fabricada por ele.




Bem, este texto já vai longo. Só para terminar, o mais chato nisto tudo é nós chegarmos a esta fase da campanha e vermos que somos muito superiores a qualquer uma destas equipas. É frustrante vermos a nossa equipa a jogar bom futebol e a desperdiçar pontos desta forma, tendo grandes hipóteses de não ir ao Mundial. Mas enfim, se calhar não vamos ser os únicos. Isto se não nos apurarmos, claro (é bastante possível a vitória da Suécia na Dinamarca, ainda com a enorme sorte que têm tido).


Bem, espero que tenham gostado.Não hesitem em dar a vossa opinião.

Abraços


domingo, 13 de setembro de 2009

Golo da Semana #2

Este post já tem uma semana de atraso, mas aqui vai na mesma.

João Moutinho, médio e capitão do Sporting, foi eleito por vocês como o autor do Golo da Semana, na marcação de um livre directo bem executado frente à Fiorentina.


João Moutinho - 29%
Stankovic - 25%
Aimar - 20%
Chihi - 16%
De Rossi - 10%


Fiquem com o Golo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Manchester City x Arsenal

Acabei de assistir a mais um bom jogo da Premier League, um jogo marcado por uma segunda parte de emoções fortes. City e Arsenal proporcionaram um jogo de 6 golos, em que o Manchester levou a melhor ao vencer por 4-2 o Arsenal, que conta já com a sua segunda derrota no campeonato depois das duas goleadas. Quanto à equipa de Mark Huges continua assim com um registo totalmente vitorioso, com destaque para Adebayor que continua com a média de um golo por jogo.


Penso que no final a vitória é justa, embora o Arsenal tenha podido empatar a partida no final, tendo mesmo estado a perder por 4-1. Ainda assim, os "gunners" não se podem queixar, pois estiverem bastante apáticos até à entrada de Rosicky por volta da hora de jogo, sendo Fabregas insuficiente para uma equipa que estava sem ideias.
O primeiro golo foi da equipa da casa, marcado por Richards através de um cabeceamento. Já na segunda parte o Arsenal, com Rosicky em campo, empata com um excelente trabalho de Van Persie a finalizar de pé direito. Depois os gunners finalmente começaram a impor a sua grande dinâmica e aumentaram a intensidade de jogo. Aí, o City encolheu-se quase todo no seu meio-campo, tendo evitar o segundo golo do Arsenal. O que é certo é que o Arsenal não marcou e, em mais uma das habituais infantilidades tácticas que o impedem de ser campeão, deixou o flanco esquerdo completamente esposto ao contra-ataque do Manchester. Assim, Richards aproveita, passa por um defesa do Arsenal, serve Bellamy e este, à entrada da área, remata cruzado para o golo do City. Alguns minutos depois, mais uma vez no flanco esquerdo do Arsenal, Phillips cruza para Adebayor que, sozinho da área, fez o terceiro golo com um bom golpe de cabeça. Assim que a bola bate nas redes, o togolês vai numa correria infernal e percorre o campo todo até à sua baliza festejando o golo com os adeptos do Arsenal, numa clara atitude de provocação. De seguida, Bellamy faz uma cavalgada impressionante da direita para o meio e depois serve Wright Phillips que com grande categoria faz o 4-1. Um golo que pôs os adeptos do City eufóricos. Nos últimos minutos o Arsenal ainda reduziu, através de Rosicky, e podia ter empatado o jogo com dois remates de Van Perside, um deles foi ao poste e o outro foi interceptado por um homem do City.


O City, que jogava em casa, de alguma forma admitiu o maior poderio do Arsenal ao encarar este jogo com uma estratégia mais defensiva, tentando utilizar Adebayor como ponto de referência no ataque e Bellamy e Phillips como setas apontadas à baliza de Almunia, no sentido de aproveitar a velocidade dos dois alas.
Isso aconteceu também, por ventura, devido às ausências importantes de Tevez e Robinho, que deixavam Adebayor como único ponta-de-lança. O seu treinador montou a equipa num 4x5x1, com a defesa habitual (Richards, Touré, Lescott e Bridge), três homens no centro do meio-campo (De Hong, Garry e Irrland), dois alas rapidíssimos (Phillips e Bellamy) e a refrência atacante, Adebayor. Acabou por ser uma boa estratégia, especialmente devido à imaturidade do Arsenal que se expõe facilmente aos contra-ataques rapidíssimos de Bellamy e Phillips. Depois tínhamos Ireland tacticamente muito bem, sendo o cérebro da equipa, e Adebayor que segura muito bem a bola no meio-campo e depois consegue ser letal na hora de finalizar.

O Arsenal, que não podia contar com Arshavin, apresentou-se numa espécie de 4x3x3, com Sagna, Hagger, Vermalen e Clichy na defesa, Denilson, Song e Fabregas no meio-campo e na frente Diaby na esquerda, Brendtner na direita e Van Persie no meio. Face à ausência do avançado russo, Wenger tentou utilizar as diagonais de Brendtner e Diaby para o meio para baralhar a defesa do City, que até ao início do jogo não tinha sofrido qualquer golo. A certa altura, notava-se que havia demasiados médios-centro (Denilson e Song) e fazia falta um criativo. Aí, Wenger tirou Denilson e meteu Rosicky o que deu não só mais qualidade na movimentação ofensiva na equipa, como também permitiu que aparecesse mais um homem no ataque a definir bem os lances. Mais no final do jogo, entrou Eboué para o lugar de Sagna, tentando dessa forma dar mais profundidade e rapidez ao flanco direito da equipa. Houve ali 15 minutos em que o Arsenal mostrou a sua qualidade ofensiva, tendo encostado o City "às cordas". Porém, a sua imaturidade foi fatal e permitiu que o City pudesse utilizar contra-atqaues fatais.


Espero que tenham gostado.
Abraços

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Análise do Hungria x Portugal

Boas. Antes de mais, peço desculpa a todos os visitantes deste blog pela ausência durante esta semana. Não tive tempo para publicar nada.


Hungria 0 - 1 Portugal


Que saudades da Hungria de Puskas..

Passemos ao jogo de Portugal em Budapeste, cidade histórica em que outrora brilhavam os pés do genial Puskas. Outros tempos. A Hungria dos dias de hoje está a quilómetros da grande Hungria dos anos 50, aquela que foi talvez a pioneira do 4x2x4, em que tinha quatro homens que proporcionavam contra-ataques letais para qualquer defesa.

Esta Hungria que nos defrontou além de não ter a habilidade técnica de outros tempos é uma equipa fraca em termos de dinâmica de jogo. Pelo menos neste jogo demonstrou um enorme receio da nossa selecção e limitou-se a esperar-nos no seu meio-campo. Portugal podia passar o jogo a trocar a bola entre o GR e os defesas que os hungaros continuariam na sua retaguarda. Para mim, aquilo não é jogar futebol. Aquilo não é um "autocarro" é um "porta-aviões". Deve ser triste para aqueles que viram Puskas jogar ver uma Hungria tão limitada. O seu jogo habitual não deve ser tão defensivo (o jogão de Portugal contra a Dinamarca e a possível goleada meteu um certo medo aos húngaro), mas mesmo assim há uma diferença abismal passados 50 anos.



O oposto do que costumamos fazer...

Ora bem, Portugal precisava urgentemente de vencer este jogo para meter ainda vivas as esperanças de conseguir ir ao Mundial 2010. Para isso, dizia Queiroz, era necessário não sofrer golos. A meu ver a mensagem deve passar sempre por incentivar o futebol ofensivo e não o contrário, mas neste caso compreendo as declarações no sentido em que dar a volta ao marcador contra uma equipa daquelas, tão retraída e num terreno não muito favorável ,iria ser uma tarefa herculeana.

Este jogo foi completamente diferente do jogo anterior com a Dinamarca. Uma exibição fraca (se bem que tendo em conta o posicionamento táctico dos húngaros era o jogo possível de se fazer), poucos remates e 3 pontos arrecadados. Isto quando 4 dias antes tínhamos feito um jogo de grande qualidade, rematado 34 vezes (!) e conseguido apenas um empate. Eu prefiro que a selecção jogue bem, mas neste caso era imperial ser resultadista, algo que detesto. Era imperial conseguir a vitória e conseguimo-la.



Pepe imperial, Liedson apagado e Ronaldo muito mal

Em relação ao jogo, Queiroz pôs a equipa no 4x4x2 em losango e, desta vez, com Liedson a titular. Simão ficou no banco, penso eu, para dar mais "músculo" ao meio-campo, pois todos sabemos que o jogo dos húngaros passa pelo contacto físico e pelo jogo aéreo. O quarteto defensivo foi o habitual (Bosingwa, Carvalho, Alves e Duda), Pepe foi o trinco, Meireles e Tiago como interiores, Deco a "10" (depois substituído por Simão) e Ronaldo na companhia ao "levezinho" na frenete de ataque. Para mim, Bosingwa e Ronaldo jogaram bastante mal, tendo perdidos inúmeras bolas de uma forma displicente (Ronaldo falhou dois golos incríveis), sendo que Liedson esteve muito ausente do jogo. Bruno Alves e, principalmente, Pepe foram os melhores de Portugal, quase que imbatíveis no jogo aéreo frequentemente utilizado pela Hungria. Duda continua a demonstrar que não tem rotinas de defesa. Nota-se bem a falta de "escola" de defesa. Em quanto que a Pepe falta a escola de médio. Sobre este, penso que a sua capacidade técnica e física permitem que jogue relativamente bem em todas as posições do campo, mas a falta de rotinas nota-se quando a equipa se encontra no primeiro momento da construção de jogo. Para isso, penso que Miguel Veloso é a opção mais lógica. Pode ser que daqui para o futuro Veloso ocupe a posição "6" e que Pepe passe para central (o Ricardo Carvalho em forma é o melhor central do mundo mas para mim já não tem o mesmo rendimento que tinha há anos atrás).


Muitos criticaram a exibição. Mas não esqueçam as condicionantes deste jogo. A equipa era absolutamente obrigada a vencer e não esqueçamos a táctica ultra-defensiva da Hungria. Sinceramente penso que a equipa consegue ter uma dinâmica do mundo como poucas selecções o conseguem (só por exemplo, a Argentina de Maradona - tal como o Brasil há 3 anos atrás - não tem metade da nossa capacidade de jogo. O nosso único problema é mesmo a inacreditável incapacidade de finalização. Para isso, foi chamado Liedson. Espero que o problema se resolva. Mas também é bom não esquecer que as oportunidades não serão sempre para Liedson. Ronaldo, Simão e Deco terão muitas vezes que finalizar e já mostraram que não o conseguem fazer (pelo menos na selecção). Só para acabar, é incrível que Ronaldo não tenha marcado um único golo nesta fase de qualificação. Seria normal o CR9 marcar por volta de 5 golos. Se esses 5 golos tivessem existido....


Enfim, foi um mau jogo mas tivemos o que se exigia: uma vitória.
Mais tarde farei uma análise à situação em que a Selecção Portuguesa se encontra.


Abraços

sábado, 5 de setembro de 2009

Análise do Dinamarca x Portugal


Dinamarca 1-1 Portugal


Aprendam a rematar e somos campeões...

Portugal não conseguir cumprir o objectivo de vencer a Dinamarca, não tendo ido além de um empate a 1. É um empate muito injusto, pois Portugal teve inúmeras oportunidades de golo e apenas conseguiu concretizar uma vez, através de Liedson, que se estreou com um golo. Portugal podia ter goleado os dinamarqueses, mas a verdade é que não vencemos e, sendo assim, a hipótese de irmos ao Mundial está seriamente comprometida. Não estamos afastados, mas as nossas esperanças diminuíram bastante com a indesejada vitória da Suécia na Hungria. É que vamos ter dois jogos com a Hungria onde podemos ultrapassar claramente os húngaros, mas temos a Suécia com mais dois pontos que nós. Fazendo as contas, vemos que mesmo ganhando os três jogos que restam podemos não ir à África do Sul, pois precisamos que a Suécia perca, no mínimo, 2 pontos. E se formos a ver os adversários dos suecos facilmente concluímos que a perspectiva Portuguesa não é nada agradável. Os nórdicos vão enfrentar Malta, Albânia e a Dinamarca. Ora bem, em teoria eles vencerão os jogos com Malta e Albânia, sendo que não é difícil prever que os Dinamarqueses, confortáveis na frente do grupo, irão dar uma "ajudinha" aos amigos suecos. Por estes motivos, penso que irá ser muito difícil ver os lusitanos em zonas onde outrora os nossos bravos marinheiros enfrentaram os mares desconhecidos do "Cabo das Tormentas".




Análise Táctica:

Queiroz montou a equipa num 4x4x2 losango, com Pepe a trinco, Tiago e Meireles a interiores, Deco a "10" e Ronaldo e Simão soltos na frente. Nos minutos iniciais, o jogo foi de grande equilíbrio e intensidade. Porém, a partir dos 10/15 minutos só deu Portugal. Foi um domínio esmagador da selecção portuguesa. Os dinamarqueses limitavam-se a ver a boa troca de bola dos portugueses. Estávamos a ter uma dinâmica de jogo muito boa, com trocas posicionais dos homens do meio-campo. Boa exibição de toda a equipa. Porém, e como é habitual nas equipas portuguesas, criam-se muitas oportunidades de golo mas não se consegue concretizar nenhuma delas. Muitos remates mas nenhum golo. Só na primeira parte foram 15! Simão esteve duas vezes com a baliza escancarada, mas não foi eficaz. Ronaldo também não fez mais do que rematar ou à figura de Andersen ou por cima da sua baliza. E como (já diz o ditado do futebol) quem não marca sofre, Brendner recebe uma bola bombeada para a área, amortece-a e finaliza de pé esquerdo. Os portugueses nem queriam acreditar. Nós em 15 remates, alguns com a baliza a seus pés, não marcamos nenhum e eles em 3 ou 4 fazem um golo. É assim. Os erros pagam-se caro. Jogámos muito melhor que eles, mas não metemos a bola na baliza adversária. E eles meteram-na.


Na segunda parte, Martin Olsen, esperando uma entrada forte da nossa parte, deve ter dito aos jogadores que pressionassem muito para meter algum medo aos portugueses. Isto porque um segundo golo dos nórdicos quase que acabaria com o jogo. E foi assim, Liedson entrou mas Portugal deixou-se levar pelo receio de sofrer um segundo golo fatal. Durante os primeiros 15 minutos a Dinamarca dominou o jogo e por muito pouco que não chegou ao golo. Nesta altura, o meio-campo de Portugal estava menos sólido e o ataque abriu com Simão e Ronaldo nas alas. Mas Portugal tinha perdido o controlo emocional do jogo, falhando passes e não conseguindo ligar os seus sectores. Mas aos poucos os Portugueses foram recuperando a organização e a tranquilidade necessária para voltar a criar hipóteses de golo. E fomos tendo-as. Em duas jogadas, Deco (sozinho da zona de penalty) e Ronaldo (junto à linha de golo) falham incrivelmente o golo. O tempo ía passando e Portugal não conseguia marcar um único golo que relançasse a partida. Ironicamente, foi Liedson que, sem saltar, fez o golo do empate cabeceando a bola depois de um canto. Nos últimos minutos foi um autêntico massacre de Portugal, com uma grande intensidade na circulação de bola, mas mais uma vez pecámos na finalização.


É desolador empatar assim. Portugal, como fez em Alvalade há uma ano, dominou quase todo o jogo e criou imensas oportunidades de golo (35 remates), mas por mais fácil que seja de concretizar, os nossos jogadores não são eficazes na finalização. Não sei o que passa com Ronaldo, Simão, Deco, mas é preciso melhorar a pontaria urgentemente. Se Portugal fosse eficaz na finalização (e isto é um grande "se") poderíamos competir sucessivamente pelos títulos de campeões europeus/mundiais, mas com esta falta de discernimento na hora de finalizar não vamos longe.

É incrível como uma selecção dinamarquesa que leva, nos dois jogos connosco, um banho de bola durante 80% do tempo, lidera este grupo com mais 7 pontos que nós, 4 que a Hungria e 5 que a Suécia. As contas agora são fáceis. Temos que vencer os três jogos que restam e esperar que a Suécia não vença um dos seus.

É um cenário muito difícil. Mas já vi a França recentemente apurar-se num grupo onde era claramente a favorita. Ainda é possível e há que acreditar, mas para já era preciso afinar (e muito) a pontaria.


PS 1: acho esta controvérsia com Liedson algo esquisita. Para mim, ou se é totalmente contra naturalizados ou se é favor de todos. Não faz sentido ser contra Liedson e a favor de Pepe ou Deco. Aliás, é claramente um acto de estupidez ser a favor de um naturalizado numa posição em que até somos dos melhores do mundo (centrais) e ser contra numa posição em que temos uma clara falta de jogadores de qualidade nessa posição (avançado).


PS 2: não nos podemos desculpar com isso, mas já é a segunda vez que não nos marcam um penalty em terras nórdicas. Primeiro, na Suécia e agora, na Dinamarca. Nada a que não estejamos habituados.

É preciso ganhar!

Dentro de poucas horas Portugal vai defrontar a Dinamarca, num jogo crucial para o apuramento para o Mundial 2010. Tendo em conta a nossa pontuação, é melhor apontarmos as baterias para o segundo lugar. Ora, sendo assim (e desde que a Hungria não vença a Suécia), não ganhar este jogo não quer dizer que estejamos imediatamente fora da maior montra de futebol. O que irá realmente ser o jogo de "vida ou morte" será o confronto com a Hungria, selecção com a qual disputaremos o segundo lugar, que dá acesso ao playoff. No entanto, é importante que os jogadores encarem este jogo como sendo decisivo, em que é preciso uma vitória para que mesmo que a Suécia ganhe ainda possa ser possível sonhar com a África do Sul.


Quanto ao jogo, não será nada fácil, pois a Dinamarca não deverá certamente subir muito no terreno. Será Portugal que irá assumir as rédeas do jogo, sendo que há ainda algumas dúvidas em relação ao sistema de jogo. Ora bem, se Liedson jogar, faz muito mais sentido o 4x4x2, pois o "levezinho" só rende com um parceiro ao lado, que poderá ser Ronaldo. Se ele não jogar, talvez faça mais sentido o 4x2x3x1 habitual. Só que nesse caso, que ponta-de-lança poderíamos utilizar? Enfim, mais importante que o sistema é a forma como os jogadores se comportarem. É preciso vencer a batalha!

Temos que estar sempre com a selecção!


À noite farei a análise ao jogo.

Abraços

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Resumo da Jornada #3


Boas. A partir de hoje farei uma análise geral em forma de resumo sobre o que se passou na jornada anterior do campeonato português. Falarei um pouco sobre cada jogo (maioritariamente os jogos tele-visionados) e apresentar-vos-ei o meu "11" da jornada.

Depois gostaria que Vocês dissessem qual :
- a melhor equipa;
- o melhor jogador;
- o melhor jogo;
- a pior equipa;
- o pior jogador;
- o pior jogo;



  • Paços Ferreira 0 - 0 V. Guimarães (Mata Real - 3 000 espect.)

    Foi (mais) um jogo muito fraco. A jornada abriu bastante mal, com um jogo nada interessante e mal jogado. Infelizmente a fraca qualidade de grande parte dos jogadores que actuam em Portugal não permitem que existam bons jogos.


  • Naval 1 - 3 Porto (José Bento Pessoa - 4 200 espect.)

    Não foi um jogo brilhante, mas teve bons momentos. O Porto começou bem, com vontade de resolver cedo, tendo chegado ao golo aos 8 minutos, através de uma bela jogada finalizada por Falcão. A partir dos 20 minutos, o Porto adormeceu, e a Naval podia ter empatado. Na segunda parte, os dragões dominaram o jogo e acabaram por vencer com justiça por 3-1.

    Melhores em Campo: Varela e Falcao (Porto).


  • U. Leiria 0 - 0 Marítimo (Magalhães Pessoa - 1 500 espect.)

    Mais um daqueles jogos aborrecidos, que fica marcado por uma fraquíssima assistência. É triste ver um estádio com apenas 5% das bancadas preenchidas.


  • Leixões 0 - 0 Rio Ave (Estádio do Mar - 3 500 espect.)

    Mais um jogo sem golos. É uma realidade da nossa liga: temos muitos jogadores sem qualidade a jogar em relvados portugueses. Se investissem mais na formação de jovens portugueses em vez de trazerem contentores de brasileiros e africanos, talvez os jogos fossem melhores, com mais golos.


  • Braga 3 - 1 Belenenses (AXA - 10 000 espect.)

    Sendo o líder da classificação, o Braga recebeu o Belenenses naquele que felizmente foi um bom jogo. As 10 000 pessoas que estiverem em Braga viram a equipa de Domingos a dominar e a procurar jogar bem, com dinâmica e velocidade. O Belenenses não esteve mal, mas a vitória dos bracarenses foi mais que justa. O jogo chegou a estar empatado, mas os arsenalistas resolveram o jogo com um bis de Hugo Viana, que fez uma grande exibição. É bom vê-lo de volta a Portugal.

    Melhores em Campo: Hugo Viana e Mossoró (Braga); Yontcha (Beleneses).



  • Académica 0 - 2 Sporting (Cidade de Coimbra - 10 000 espect.)

    Com tanta pressão em cima, o Sporting finalmente conseguiu vencer. Porém, foi um jogo bastante fraco. Durante muitos momentos foi um jogo parado, muito lento, sem grande interesse. A académica começou bem, mas o Sporting foi dominando o controlo do jogo, tendo chegado ao golo através de Liedson, após um grande cabeceamento a cruzamento de Vukcevic. Finalmente vemos o "levezinho" a marcar. No fim, Yannick fez o golo a passe de Saleiro, matando o jogo.

    Melhores em Campo: Yannick, Carriço (Sporting).



  • Nacional 1 -1 Olhanense (Estádio da Madeira - 2 000 espect.)

    Ao que consta foi mais um jogo de pouco interesse, embora ligeiramente melhor que os que acabaram em 0-0. O Olhanense continua a demonstrar que pode vir a ser a revelação deste ano, enquanto que vai ser interessante ver como se comportam os madeirenses na Liga Europa.


  • Benfica 8 - 1 V. Setúbal (Estádio da Luz - 40 000 espect.)

    No meio de tantos empates, este jogo parece algo anormal. É uma goleada com um tamanho que já não víamos há 7 anos, precisamente com um Benfica 7-0 P. Ferreira. Quanto a este jogo, o Benfica entrou muito forte, com bastante velocidade, mas chegou aos 3-0 apenas com lances de bola parada. A partir daí, a nova equipa do Setúbal nunca mais se encontrou em campo, tendo feito uma exibição incrivelmente má. Quase todos os jogadores estavam quase bloqueados e viam os benfiquistas a jogar., que nunca desistiram de engordar o marcador. De facto, foi uma exibição muito boa dos encarnados, com destaque para o hat-trick de Cardozo e o jogão de Aimar, mas não deixa de ser preocupante ver uma equipa a jogar tão mal no nosso campeonato. Esperemos que Azenha consiga dar a volta e entrosar os jogadores, que na 2ª feira mais pareciam amadores. Ainda uma nota para Nuno Gomes, que precisou apenas de 6 minutos para facturar na partida.

    Melhores em Campo: Aimar, Cardozo e Saviola (Benfica).



Está feito o balanço geral da jornada.
Agora é a vossa vez de entrar em acção.


Deixem um comentário, dizendo qual é:
- a melhor equipa;
- o melhor jogador;
- o melhor jogo;
- a pior equipa;
- o pior jogador;
- o pior jogo;



Por último, fica aqui o meu 11 da Jornada. Se tiverem algo a opor, agradecia que o dissessem.





Bem, o Resumo da Jornada está feito. Da minha parte é tudo.
Agora conto com vocês para atribuirmos os "prémios" da jornada.


PS: votem também no Golo da Semana!


Abraços a todos